As vezes o que procuramos está bem diante de nós

Quem já se perdeu quando criança, ou já perdeu o filho na praia, supermercado, ou shopping, sabe o sentimento que toma conta de nós. A preocupação e ângústia logo se tornam desespero após minutos – que lembram horas – intermináveis de procura do filho perdido.

Agora imagine se perder do filho e não voltar a encontrá-lo mesmo horas, dias, meses ou anos depois. A sensação que deve ficar é a de que um dia ele entrará pela porta de casa e tudo não vai ter sido mais do que um susto. Mas a realidade é bem diferente.

Na Argentina, a ONG Missing Children se esforça sempre para trazer uma abordagem diferente e funcional para abrir os olhos das pessoas em relação às crianças perdidas. Já mostramos aqui uma campanha onde mochilas infantis foram abandonadas em parques, despertando a curiosidade de muita gente.

Para a nova campanha – intitulada O Flyer Invisível –, a ONG resolveu abordar o tema de maneira diferente. No video acima um garoto distribui panfletos com fotos de crianças desaparecidas em um estádio durante a final do campeonato de futebol local. O que se vê de quem recebe os panfletos é o mesmo que acontece por aqui: total descaso e falta de atenção.

Em seguida, antes do início da partida, o placar anuncia um recado. Todo mundo se silencia para prestar atenção. Eis que a locução explica: “Atenção! Hoje distribuímos folhetos com fotos de crianças desaparecidas. Você deu uma olhada no folheto? As crianças perdidas estão bem a nossa frente. Envolva-se.”

O silêncio que se faz no estádio, com mais de 48 mil torcedores, diz tudo. Todo mundo abriu os olhos e entendeu a mensagem – aplaudida por muitos.

A criação é da Almacén.

Alemães sentem na pele o frio diário dos moradores de rua

Eles estão por todas as partes. São inúmeros. Incontáveis. Presentes em praticamente todos os países do mundo. São tão comuns – infelizmente – que chegamos a ignorar, a passar batido, a pular como se fosse um meio-fio ou uma poça d’água.

Os moradores de rua, chamados comumente de mendigos – palavra proveniente do verbo “mendigar” (pedir algo com extrema humildade) – estão presentes em quase todos os grandes centros urbanos ao redor do planeta. Eles estão lá. Lutando diariamente contra a fome, contra a falta de conforto, contra a chuva, contra a falta de segurança, e contra o frio.

Hoje em dia é fácil encontrar instituições que dão suporte para os moradores de rua necessitados, alimentando-os diariamente e/ou lhes fornecendo outros auxílios. E, na Alemanha, um dos principais problemas é o frio – que pode chegar a 0ºC facilmente.

Pensando nisso, a Fifty FiftyONG alemã que fornece suporte para os moradores de rua – resolveu lançar uma ação de conscientização para arrecadar mais doações durante o inverno alemão. Mas como fazer as pessoas entenderem o tamanho da importância em fornecer proteção para os moradores de rua contra o frio?

A solução foi proporcionar um choque de realidade, fazendo os alemães sentirem na pele o tamanho do problema. Durante uma sessão de cinema, o ar-condicionado da sala foi ajustado para 8ºC, deixando todos os telespectadores com um frio tremendo. Para aliviar o frio, foram entregues cobertores que continham um QR Code instruindo as pessoas a doarem para a ONG.

O raciocínio se conectava durante o trailer. Enquanto as pessoas passavam frio dentro da sala de cinema sem saber o que estava acontecendo, uma equipe entrevistava – e transmitia ao vivo para o cinema – moradores de rua explicando que 8ºC é até agradável perto do frio diário de 0ºC.

A repercussão foi imediata, tal como as doações que aumentaram significativamente, gerando recursos para seus projetos de inclusão social.

A criação é da Havas Worldwide de Düsseldorf.

Outdoor filtra umidade do ar e fornece água potável

Todo mundo já sabe que sem água, não há vida. O corpo humano adulto consegue sobreviver apenas 3 ou 4 dias sem água. Além disso, a água também alimenta os vegetais que ingerimos – vegetais esses que também alimentam os animais que nos fornecem carne –, fazendo jus a famosa frase “a água é a fonte da vida.”

Há bastante água doce no mundo, mas em certos lugares, o acesso a água potável é bem complicado. A cidade de Lima, no Peru, é um exemplo de dificuldade na obtenção de água limpa. Registrada como a segunda maior capital localizada em um deserto, Lima apresenta, aproximadamente, apenas 1.3 centímetros de precipitação anual de chuva.

Contudo, a UTECUniversidade de Engenharia e Tecnologia do Peru – encontrou uma solução para divulgar a abertura de suas matrículas, e de quebra fornecer água potável para a população.

Depois de analisar estudos mostrando que a umidade atmosférica na região era altíssima (98%), a UTEC construiu um outdoor que coleta a umidade do ar, produzindo e reservando água potável, que pode ser adquirida através de uma torneira em sua base (veja o video acima).

Acima é possível ver como o outdoor funciona. O ar passa por um filtro de ar e por um condensador, que separa as moléculas de água. Depois, a água passa por um filtro de carbono e é depositada em um tanque gelado, onde fica armazenada pronta para o consumo.

O outdoor é capaz de produzir quase 10 mil litros em apenas 3 meses – suficiente para o consumo de centenas de famílias por mês. Cada tanque tem uma capacidade para 20 litros.

A criação é da Mayo DraftFCB.

Bicycled constrói bicicletas a partir de carros abandonados

Cada vez mais a bicicleta vem tomando as ruas. No Brasil, esta substituição do automóvel pela bicicleta ainda engatinha, mas grandes passos já foram dados para que o futuro volte a preencher as ruas com as “magrelas”.

Enquanto esta substituição ocorre gradativamente, um grupo de cicloativistas da Lola Madri resolveu reutilizar os carros abandonados de um ferro velho para criar seus modelos de bicicleta.

A proposta é utilizar a lataria, estrutura e acessórios de carros sucateados para construir bicicletas exclusivas, mostrando na prática que uma bicicleta pode significar um carro a menos.

No site oficial do projeto você pode pre-encomendar a sua, embora nenhum preço tenha sido divulgado.

[Dica do nosso leitor Henrique Tomaz]